terça-feira, 7 de março de 2017

O Salvador da Pátria

Vencidos os preconceitos da primeira eliminatória (sim, combato todos os dias os meus próprios preconceitos) predispus-me a acompanhar melhor os movimentos do Salvador Sobral (de quem me lembrava de um daqueles concursos de talentos de há mil anos). Movimentos não à letra, tá?
Fui revisitar as actuações dele no Ídolos. Relembrei-me do ar "beto". Fui pesquisar o seu percurso pós-ídolos, o trajecto entre diferentes países, as influências de jazz que (agora) notamos que estão lá. 
Revi a primeira eliminatória. Li as notícias que justificavam as roupas largas, a cirurgia de urgência pós emissão. Pensei melhor. Ouvi mais vezes: de olhos fechados, abertos, a trautear baixinho a melodia, a acompanhar já com a letra decorada. 
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. 
Ouvi ao vivo e auto-puni-me violentamente. Salvador Sobral- como dizia a Catarina Fonseca numa caixa de comentários de uma amiga comum:  " tem de ser todo ele diferente. Se é diferente num lado e igual no outro, passa só a ser um quase-igual."
Caramba, era mesmo aquilo!
Salvador tem bossa nova, jazz, Jobim, Caetano e- claro!- Luisa Sobral na voz. É único e sublime. E deixa-nos com uma música que sobreviverá ao festival da canção, ao concurso e aos votos, aos points e aos concorrentes macarrónicos, proeza já não viste há mais de 20 anos.
Sabem que mais? Se em Kiev ganharmos, ganhamos bonito.
A vantagem é que-desta vez- se perdermos- caraças- também perdemos bonito.



Se um dia alguém 
Perguntar por mim 
Diz que vivi 
Para te amar 
Antes de ti 
Só existi 
Cansado e sem nada p’ra dar 
Meu bem 
Ouve as minhas preces 
Peço que regresses 
Que me voltes a querer 
Eu sei 
Que não se ama sozinho
 Talvez devagarinho 
Possas voltar a aprender 
Se o teu coração 
Não quiser ceder 
Não sentir paixão 
Não quiser sofrer 
Sem fazer planos 
Do que virá depois 
O meu coração 
Pode amar pelos dois

4 comentários:

(Sometimes) Brave C disse...

Bravo bravo bravo!

ana disse...

Não acompanhei o festival, não ouvi as outras canções e também ainda não tinha ouvido esta, mas acho-a fantástica, sublime! E sim, este "miúdo" tem isso tudo no corpo e na alma.

Nuno França disse...

Ele é fantástico!
Faz-me lembrar a irmã a cantar, mas com mais expressões.
Grandes dois artistas, os dois estão de parabéns!
Deu gozo vê-lo a exprimir-se em palco, aquilo sim, é Amor à Música!

Cris disse...

É, sem dúvida, uma interpretação, um todo que embala, enleva e emociona. Um jamais vu��

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