sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Rodrigo que podia ser a Ana. A minha Ana.


Imaginem que a rapariga da fotografia sou eu. Podia ser. Não tenho sardas e não sou tão nova mas, tal como ela, sou mãe. Imaginem que estava sozinha, que mámen tinha morrido, que era viúva como a Vanessa, a rapariga do retrato. 
E imaginem que este rapazinho era uma menina, que o Rodrigo era a Ana. A Ana que vocês souberam que viria num dia de Inverno, música de Sérgio Godinho, num pedido que espalhassem a notícia da alegria que mal me cabia no coração. 
Imaginem que era diagnosticado à Ana um cancro com pouco mais de dois anos de vida. A mesma Ana, cujas histórias de gravidez  vocês acompanharam a par e passo, para quem enviaram pensamentos positivos a cada sobressalto, por quem, genuinamente, ficaram felizes quando chegou a este Mundo, tornando-se sobrinha quadripolar de todos vós. 
Imaginem que a Ana estava a morrer. E que eu deixava de escrever, deixava de ser alegre, de ter bom humor e passava a viver um pesadelo. Que tentava com todas as minhas forças salvar a minha filha, aquela cujos olhos azuis já vos descrevi, os que me enchem a alma e os dias de um amor que transborda do peito. Imaginem, mais uma vez, eu sozinha, sem mámen, exausta, com a única responsabilidade de lutar para que a Ana sobrevivesse. Sem garantias mas com o dever de qualquer mãe: de a proteger, se fosse preciso, com a minha própria vida. 
Imaginem que no final de tratamentos violentíssimos o corpo da Ana não reagia e que se constatava que tinha 90% das células infectadas. Imaginem que a Ana estava a morrer e eu precisava de vocês, de ti e de ti, da tua família, dos teus amigos, de todos. 
Que eu precisava de ideias para ir procurar ajuda, de moradas de hospitais, médicos, de contactos, de ajuda monetária, de convencer toda a gente que estivesse ao meu alcance a doar medula, numa esperança, ínfima que fosse, de enganar o tempo e travar a puta da doença. 
Imaginem que eu tirava este retrato: da minha filha cansada, doente, desanimada comigo a segurar-lhe o rostinho, pequenino, desesperada, sem ânimo, energia ou força mas com a única ideia de salvar a minha filha. 
Imaginem que eu não estava a escrever este texto com lágrimas nos olhos, com as mãos a fazerem figas e a bater na madeira, em jeito de superstição e imaginem que tudo isto era real para mim e para a Ana.
Imaginem que podiam fazer algo por nós. Faziam-no?

Vamos fazer pelo Rodrigo? Antes que o tempo acabe?


Contribuam monetariamente para se juntar dinheiro para se poder, se for preciso, partir com o Rodrigo para o fim do Mundo, que seja, para o curar. 

Titular: Cátia Vanessa Zeferino Patusco
NIB: 5200 5201 0010 3209 0016.4
IBAN PT50. 5200 5201 0010 3209 00164
SWIFT CDOTPTP1XXX

E inscrevam-se como possíveis dadores de medula. Por mim. Pela Ana. pela Bia. E pelo Rodrigo. )


20 comentários:

Tita disse...

Apenas gostaria de informar que já enviei uma pequena contribuição para o Rodrigo, que estará nas minha orações.
Que os milagres aconteçam, a quem de facto precisa deles.
Muita força para esta Mãe e para o seu menino.

vidasdanossavida disse...

Até me parou o coração só de imaginar. Tenho um rapaz de 3 anos e outro a chegar nos próximos dias e nem consigo imaginar. Vou partilhar. Esperemos conseguir ajudar o Rodrigo.

Liliana Maciel disse...

Partilhado!
Não posso doar medula, mas algumas pessoas da minha família já o fizeram. Não custa nada! Hoje pelos outro, amanhã, Deus queira que não, mas poderá ser por nós!
Contribuirei monetariamente! Não é muito, mas se toda a gente o fizesse... grão a grão enche a galinha o papo!

CS disse...

Meu Deus... e desejo com todas as forças que Ele exista mesmo e se manifeste perante nós.
Imaginar que seria a Ana, a minha Alice ou mesmo o Rodrigo e de fazer saltar o coração do peito...
Já sou dadora. Vou publicar no meu pequeno blog.

Cantinho da Bê disse...

Querida Pólo, tornei a liberdade de fazer referência ao teu post no meu blog, uma vez que escreves tão melhor do que eu. Obrigada por este post e por nos trazeres a história do Rodrigo.

Eu é mais bolos disse...

Esta história até me dá volta ao estômago. Não sou mãe (ando em treinos), mas perceber esta história é algo aterrador. Já sou dadora de medula há uns anos, mas nunca me chamaram :(. Quando soube desta história contribui com o que pude. Estas situações são revoltantes e deitam-nos abaixo psicologicamente. Imagino o sofrimento daquela mãe... Força para ela e para o pequenino Rodrigo.

eucomplicotucomplicasnoscomplicamos disse...

Sou dadora...não imaginas o quanto eu adorava poder ajudar alguém...que o hospital me telefonasse...

Tia Cocas disse...

Estou com as lágrimas nos olhos...que injustiça...tão pequenino...que dor dessa Mãe.
Estou a rezar, a torcer...
Coragem....

cs disse...

Querida Pólo, não sou mãe, por isso talvez possa apenas imaginar uma pequena parte do que se sente numa situação destas! Ficamos pequeninos e parecemos ridiculos com os nosssos dramas e histerismos diários perante situações assim! Vou inscrever-me como dadora, partilhar o teu texto e dar o meu pequeno contributo!

Aline Brito Paiva disse...

também já contribuí.
Já sou dadora.
E vou rezar pelo Rodrigo e por todos os miúdos nesta situação.
E para proteger os nossos.
Não há nada mais injusto, mesmo, do que crianças doentes..

Unknown disse...

Assim que olho para esta fotografia, o meu coração fica apertado as lágrimas começam a escorrer-me pela cara abaixo.
Vou fazer o que está ao meu alcance. Eu já sou dadora há alguns anos, mas vou continuar a partilhar e a tentar convencer as pessoas que se cruzam no meu caminho para serem dadoras.
Um grande beijinho e muita coragem para a Vanessa e o Rodrigo (e todas as outras pessoas que estiverem nesta situação)

Nessi disse...

Já está partilhado no meu pequeno blog! Muita sorte para o Rodrigo!

come_chocolates disse...

Vou partilhar no facebook. Se não gostares, eu apago. Está bem?

Luísa Santos disse...

copiei este post para o meu blog. não é um blog com muitos leitores (se é que tem algum) mas já enviei o link para o blog Pais de Quatro também, quantos mais melhor.
um beijinho de melhoras para ti. e um beijinho cheio de esperança e melhoras e energia boa para o Rodrigo e para a mãe do Rodrigo.

CoriscaRuim disse...

Vou roubar descaradamente para o meu tasco! :p

Não te chateias, pois não?

cantinho disse...

Contribuirei de imediato.
E passo a divulgar este seu post.
Um abraço.

Admin disse...

Moro numa cidadezita do distrito do Porto. Alguem me pode dizer onde inscrever para fazer a doação e horarios para ir.. já tentei pesquisar mas não encontrei. Quero muito ajudar no que me for possivel. Sou mae de 1 menino de 2 anos +/- (também Rodrigo)e este pedido de ajuda eemocionou-me mesmo muito. Não sei o que faria no lugar da Mãe!

factosdetreino disse...

Já tá.
Que soco o estômago.
Vou partilhar no meu pardieiro.

blue disse...

Já sou dadora de medula.
Estas histórias dão cabo de mim...
Tentarei contribuir.
Força ao Rodrigo e à mãe.<3

Angela disse...

Olá.
Espero que não te importes, mas partilhei este post no meu facebook. Caso te importes , eu elimino.
Obrigada e um beijo

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