segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Luísa, a Mãe da Luísa, a Isabel, a Leonor e o Martim (o Hugo também lá estava mas é alentejano e não entra nesta história)

Ontem conheci a Luísa. A Luísa é leitora deste blog há imenso tempo. Daquelas leitoras que não tem blog, pelo que, estava eu em desvantagem face a ela que me conhece as trapalhadas de trás para a frente, o mau feitio, o destrambelhamento, as mariquices. Da Luísa conhecia pouco mas, lá no fundo, conhecia muito. 
Houve uma altura em que, deslumbrada, me apetecia conhecer toda a gente que lê este blog. Depois outra, já escaldada, em que queria era escrever neste blog, mas nada de travar conhecimento com quem o lê. Agora penso que gostaria de conhecer algumas pessoas, sei de cor quem são. Curiosamente, a maioria não tem blog e lê de forma unidireccional. Talvez, por isso, por esse desconhecido conhecido, por esse vazio de informação que deixa margem para a minha imaginação, sinto-lhes curiosidade na expressão da voz, no tom do olhar.
Ontem, conhecer a Luísa, vou regressar a casa. À terra. Ao Minho. Ao meu Minho. A Luísa trazia a mãe, aquelas expressões da minha avó, a pronúncia que é música, acordeão e realejo, cantigas à desgarrada. Uma alegria na voz mesmo com o luto no corpo, um entusiasmo nos olhos mesmo com a dor na alma. As mulheres do Minho são assim.
Depois a Isabel, a irmã da Luísa, cabelos negros do Norte, sorriso de menina, fácil e descomplicado, luminoso como os brincos de princesa, as flores ou os de ouro, tanto me faz. E trouxe o Martim, meio arraçado, pequenino como a minha Ana (mais açoriana que minhota, raça da miúda!), ar sério, cabelo escorrido, vai ser importante o Martim, tem aquele ar distinto de quem tem sobrenome com "Y", compenetrado no alto dos seus 7 meses. 
Mas, a Luísa trouxe, de forma única, a pequena Leonor, magia em forma de criança. Esta não é arraçada (desculpa André!), o Minho num corpo de 3 anos: a frescura do verde dos campos, o entusiasmo das gentes do campo, a alegria da dança do vira. Fala como uma miúda crescida, desembaraçada como só o são as mulheres do Minho, expressiva e extrovertida, já com um bocadinho de música na voz, que não a perca. 
E a Luísa é a Luísa, foi tão fácil confirmar o que já sabia, que ia gostar dela ao vivo como por detrás de um monitor, a ler-lhe emails, a partilhar a sua dor, a partilhar com ela a minha alegria. A Luísa é exactamente como eu sabia e conhecê-la não foi mais que reconhecê-la, como se reconhece as pessoas que estão destinadas a fazer parte das nossas vidas. 
Ontem, embalada naqueles risos minhotos, nos olhares de mulher do Norte, naquele sentir a família feminina, família Sibila (Agustina sabe-o!) senti-me no regresso a casa, a voz dos meus avós, as expressões maravilhosas, o linguarejar, as mangas arregaçadas, a energia do Minho. Não apenas do Norte. Do Minho. 
Ontem senti-me em casa. Obrigada Luísa!

4 comentários:

Orquídea Branca disse...

"Do Minho"...o melhor que temos :)

Daniela Oliveira disse...

"[...] a pronúncia que é música, acordeão e realejo, cantigas à desgarrada. Uma alegria na voz mesmo com o luto no corpo, um entusiasmo nos olhos mesmo com a dor na alma. As mulheres do Minho são assim."

Tive de levar esta linda frase :) com os devidos direitos de autor

blue disse...

És minhota?! Bem digo que leio este blogue há pouco tempo!
Tb o sou e adorei ler este post.
Realmente nós minhotas temos uma força diferente, uma energia que não parece esgotar...
Obrigada por este momento. :)
Uba
http://umbocadoassim.blogspot.pt/

mary disse...

"sinto-lhes curiosidade na expressão da voz, no tom do olhar." acho que é isto que as pessoas sentem quando querem saber quem é a Polo Norte! Eu acabei por saber quem és, consegui por uma cara na Polo, e talvez algum dia a coincidência me faça encontrar-te algures pelos pontos habituais :)

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